terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Na realização de Blow-Up (1966) Antonioni fica intrigado com o processo de ampliação da fotografia para detectar uma verdade insuspeita. O fotógrafo Thomas, desempenhado por David Hemmings, entre o trabalho de moda, álbum de fotografias da cidade, visitas a vizinhos e amigos, fotografa uma jovem abraçada a um homem mais velho num parque de Londres. Quando regressa a casa é abordado por essa mesma mulher que lhe pede os negativos. Acaba por levar um rolo vazio ficando o fotógrafo com a posse das suas fotografias. Intrigado, faz várias ampliações das fotografias e descobre olhares enigmáticos por parte da mulher que abraça o homem, assim como a presença de um homem entre os arbustos sob a posse de uma arma. Pensa ter evitado um crime por ter tirado aquelas fotografias. Mais tarde volta ao parque e descobre o cadáver.
A câmara de Antonioni em movimento está aliada à máquina fotográfica da personagem, numa inspecção das imagens. Mais uma vez a máquina fotográfica é usada como uma verdadeira máquina de ver, ver além do olho nu, através das ampliações feitas pelo fotógrafo. Pensa fotografar um momento banal da vida de Londres estando na passagem entre fotógrafo a detective.
Hitchcock foca esta questão em Janela Indiscreta, num olhar de voyeur profissional do fotógrafo L.B. Jeffries, que se encontra em casa devido a um acidente de trabalho ocupando o seu tempo a espreitar pela janela a vida dos vizinhos. Mas eis que suspeita de um assassínio no prédio em frente, dando assim início a uma investigação, onde se questiona o voyeurismo de Jeffries, do espectador e do próprio Hitchcock. Espreitar a vida dos outros é frequente em Hitchcock, aqui Jeffries com o seu olhar atento vê pequenas historias, um espelho do mundo. O assassino ao sentir-se observado pelo olhar do fotógrafo ou pelo olhar do mesmo através da sua máquina fotográfica (utilizada como auxilio ao próprio olhar) descoberto, tenta matar Jeffries, do outro lado do pátio. É aqui contextualizado o voyeurismo no cinema à moda de Hitchcock, onde mais uma vez se faz alusão à máquina fotográfica como uma verdadeira máquina de ver.

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